Quero começar este texto tomando como referência um trecho da música do Marcelo D2: “Eu tenho algo a dizer, explicar pra você que engraçado não serei desta vez”.
Pois é, não serei engraçado, retratarei ao longo deste texto a assombração que ronda as escolas publicas das regiões sul, norte, leste, oeste e talvez centro. Qual será a maldita assombração? Será a falta de professor? Será o aumento desacelerado de educandos dentro das escolas? Será o aumento da evasão escolar? Ou será o tal do bullying?
Respondo que não. O que mais me incomoda neste instante é a enorme violência, falta de respeito, falta de atenção, falta de valorização da classe docente. Tal ferida senão tratada no “início” pode necrosar a educação.
Quando uma amiga, cujo nome é “de Jesus”, diz que tem um suspiro a dizer, eu digo que tenho um grito a aclamar. Um grito cheio de mágoa, raiva, esperança. E vazio de acomodação, preguiça, consolo. Um grito que vem a favor da educação, da família, do professor, da sociedade, do estado, do país e do mundo. Um grito que talvez rime com rito pra dizer que não acredito nesta coisa chamada político.
Político que em época de campanha eleitoral lembra do povo e promete mudanças em todas as áreas, principalmente na área educacional. Porém, o que vemos, ano após ano, são apenas melhorias que vistas de uma maneira mais ampla continuam perpetuando tal âmbito às margens.
Uma dúvida que não sai da minha cabeça é a seguinte: como pode um país, como o nosso Brasil, um dos maiores do mundo, ter uma educação pífia, desacreditada, pobre, desvalorizada e carregada de interesses individuais?
Embora algumas pessoas venham se preocupando com a educação brasileira, ainda vemos a falta de ação e um forte discurso de pena e dó. Um discurso carregado de conformismo, que insiste invadir a mente da sociedade a fim de tentar convencê-la que as coisas são assim porque DEUS quis. Peço por gentileza que não caiam nesta arapuca, pois Deus não quer isso pra nenhum de nós.
Entretanto, esses sujeitos que por lerem duas páginas de um simples livro que aborda a educação de maneira superficial já se acham os doutores da educação, pois é muito fácil ficar dentro do escritório acarpetado e climatizado apontando os males que rodeiam o ambiente escolar/educacional.
Contudo, não me leve a mal, o que irei dizer agora pode ser um pouco incômodo para alguns, principalmente para aqueles que ficam esperando a PÓS para terem uma “evolução” profissional, isso mesmo, aPÓSentaduria. Eu não escolhi trabalhar na escola, acredito que fui escolhido e estou sendo capacitado para trabalhar neste “RAIOS” chamado educação. Por incrível que pareça, ela vem me consumindo e me conquistando diariamente. Pois o desafio que tenho nas mãos é pesado, árduo, difícil e transformador. Tal papel, não é pra qualquer “Zé Mané”. É necessário que haja disposição, doação do tempo livre, passar fim de semana estudando, trabalhando preenchendo diário, corrigindo provas e trabalhos.
Pois é, meu caro amigo, fazemos tudo isso e o que recebemos é um soco no olho, ameaças de banho de gasolina. É isso mesmo, você não leu errado. Recebemos constantemente: “chega pra lá porque quem manda aqui sou eu”. Essa é a fala de uma minoria que se instala nas comunidades.
Comunidade massacrada pela falta de oportunidade, pelo esquecimento e pela corrupção. Além disso, estuprada por aquelas pessoas citadas anteriormente que ficam em escritórios e insistem em ejacular ideias/informações esdrúxulas na cabeça do povo.
Sendo assim, é preciso combater as ideias que apontam o professor como o pesadelo educacional. Para isso é necessário que professor e sociedade se unam em busca de um bem comum. Em busca de validar seus ideais e massacrar os interesses da classe dominante/burguesa.
Contudo, enquanto o docente caminhar nas trevas e sofrer agressão da própria sociedade, a degeneração educacional terá seu processo acelerado. Eu, como educador, quero dizer à PERIFIRIDA: “caminhe comigo”. Melhor dizendo: “caminhe com nóis”. Aliás, como diz o professor Fábio Ferreira: “caminhe conosco”. Pois acredito que não sou o único docente que acredita nesta porra chamada EDUCAÇÃO.
PROFº Flávio Nunes dos Santos Júnior
Nenhum comentário:
Postar um comentário