quinta-feira, 7 de novembro de 2013

EXPERIÊNCIA ÚNICA



Manhã memorável na AIIH, mais conhecida como campo do Irene. A correria começou logo cedo. Algumas pessoas, cabeça dura, esqueceram  a danada autorização e foi um corre-corre, liga pra mãe, liga pro pai, liga pra vó, liga pro papagaio liga pra todo mundo, mas a amioria que tentou conseguiu. Depois de atrasar mais ou menos meia hora, partimos rumo ao nosso destino. Caminhando pela estrada da periferia, lugar amargado pelo esquecimento do governo e recheada de pessoas guerreiras, foi tudo bonito. As ruas ficaram pequenas, todos que nos viam passar, paravam para observar aonde esse povo lindo iria. Maravilhoso. Parafraseando os Racionais sempre tem um pra testar nossa fé, logo dobrar a segunda esquina fomos presenteados com um balde d'agua jogado de uma das casas, mas isso não iria me abalar, porque a molecada tava com os lábios grudados na orelha e isso nos faz acreditar que essa água veio para brindar o dia. A cada passo dado, o sentimento de preocupação e confiança nas mãos daqueles que empurravam o colega Talles aumentava. Chegamos sãos e salvos, protegidos pelo bom e querido Deus, para nossa alegria fomos bem recebidos pelos grandes parceiros que encontramos na trilha da vida, Marcos Guarani e Claudião. Logo de cara todos pararam para ouvir atentamente as palavras do Marcão, já que a frente dos olhos estava um homem guerreiro, brigador pela periferia e comunidade. Finalizando o monólogo, caminhamos pelo prédio, teve gente que até lembrou o seriado Carrossel, pois as mesas e cadeiras da sala de aula o traziam à memória. A correria ao vestiário foi inevitável, meninas de um lado e meninos de outro, todos colocando suas armaduras e preparando seu arsenal, logo o palco estava montado. A resistência para fazer um amistoso dos meninos da 8A com os da 8B foi enorme. Misturar? Pára profº, tá maluco? O time já ta montado. Então firmeza, a bola começou a rolar. O Davi Adriano, começou a xingar, gritar, reclamar. As meninas dizendo que não queria jogar alegando não saber jogar e logo que acabou o jogo dos cuecas se aprontaram para entrar em campo. Surpreendentemente, uma das estudantes que mais resistia em jogar balançou a rede, ou seja, meteu um gol. A vontade de vencer era grande, mas o mais importante era está ali. A escola tá sufocante, só carteira, sala de aula, lousa, giz, lição, grade, professor ficando louco porque a rapa não quer fazer a lição e blablabla. Os estudantes das oitavas séries arrebentaram no futebol varzeano. Teve de tudo nesse evento, muitos gols, muitos tombos, muitas fotos, muitos palavrões, muitas guloseimas e o mais importante, muitos sorrisos. Abençoado por DEUS, nosso evento foi maravilhoso, ninguém se machucou, teve só uma raladinha na coxa do Mateus, mas foi suave. Para fechar com chave de ouro, teve o jogo memorável das meninas, uma partida realizada só por elas, pois a vontade de exterminar os meninos do racha estava no céu, tinha de ser um show só delas. Finalizando a manhã, mais precisamente 11:45, partimos rumo à estrutura de concreto, a chamada Escola. Acompanhados pelos guerreiros, Jesus e prof Izabel, peregrinamos pelas ruas e mais uma vez o asfalto se engradeceu com as pegadas da juventude da perifa. Protegidos pelo bom DEUS, chegamos bem ao complexo educacional. A briga foi grande para fazer a galera entrar no recinto, mas valeu a pena, entramos para estourar de alegria e risos. Contudo, o professor foi um louco e abençoado, por ter acreditado na galera, só tenho que agradecer a todos que foram e àqueles que também não foram, mas deram grande apoio ao trabalho realizado. Tomando como referência uma frase do grande professor Mario Nunes: Dar aula é foda.... Valeu, é tudo nosso..... Educação Física.